terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Dias Cinzentos de Férias III

A Débil

Eu, que sou feio, sólido, leal,
a ti, que és bela, frágil, assustada,
quero estimar-te, sempre, recatada
numa existência honesta, de cristal.

Sentado à mesa dum café devasto,
ao avistar-te, ha pouco, fraca e loura.
nesta Babel tão velha e corruptora,
tive tentações de te oferecer o braço.

(...)

E foi, então, que eu, homem varonil,
quis dedicar-te a minha pobre vida,
A ti, que és ténue, dócil, recolhida,
Eu que sou hábil, prático, viril.

Cesário Verde, Novembro, 1876

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